quinta-feira, 17 de maio de 2012

Homem anfíbio: o ribeirinho e a rotina das águas na Amazônia


A pesquisadora Therezinha Fraxe fala ao portalamazonia.com sobre o fato ribeirinhos convivem com o clico de cheias e vazantes na região.

 Juçara Menezes e Isaac de Paula - jornalismo@portalamazonia.com
Ribeirinhos ilhados por conta da cheia. Foto: Divulgação
Ribeirinhos ilhados por conta da cheia. Foto: Divulgação
MANAUS – “As famílias do interior vivem da simbiose da floresta e da água”. A afirmação é da pesquisadora Therezinha Fraxe, e, por mais romântica que possa parecer, reflete bem a realidade do amazônida. Em uma região onde o ciclo dos rios tende, sim, a ditar o ritmo da vida da população, fenômenos da cheia e vazante já fazem parte do cotidiano do que a doutora em sociologia chama de “homem anfíbio” – esse cidadão que aprendeu a adaptar-se entre a subida e a descida das águas.
Therezinha lembra  o ambiente amazônico é diferente de tantos outros, justamente porque na região, não é possível estabelecer, por tempo indeterminado, os limites entre o que é superfície terrestre e aquática. São as severas secas, que aumentam as distâncias, dificultando o acesso, enquanto meses depois grandes cheias transformam as moradias dessa população em “ilhas-palafita”, isoladas pela água.
Este último cenário é o que se vê, atualmente, no Amazonas. O Estado tem 52 cidades em situação de emergência por conta da subida das águas dos rios. Ao todo, a Defesa Civil estima que 75 mil famílias tenham sido afetadas pelo fenômeno. E enquanto as águas do rio não recuam, esses amazônidas criam mecanismos para permanecer em casa. Marombas elevam os pisos à altura cada vez mais próximos ao teto das residências. Pequenas plantações são suspensas e os animais são levados para longe, em busca de terra firme.
Entretanto, a cheia deste ano tem uma peculiaridade. “A subida repentina – nas cheias anteriores, o ápice chegava ao fim de junho e de forma vagarosa -, foi surpreendente. Não é à toa que está acontecendo uma grande sensibilização, até mesmo nacional. As comunidades próximas – Manacapuru, Careiro da várzea, Iranduba e Itacoatiara estão sofrendo muito, porque vivem do que produzem e dessa simbiose da floresta e da água”, descreve Therezinha Fraxe.
A pesquisadora conta que os ribeirinhos passam por um período crítico. Nas comunidades visitadas por ela e sua equipe, constatou-se as precárias condições de existência da população. Mesmo acostumados às cheias e vazantes, o homem do interior não se habitua a tamanha invasão da natureza. “Uma coisa é estar esperando o ciclo das águas, outra é a subida recorde. As famílias estão vivendo de forma subumana. A comida é difícil, pois as produções de várzea desapareceram. As águas chegam até a metade dos troncos das árvores, matando seus frutos ou mesmo a planta em si”, explicou.
A farinha é um dos poucos itens que se pôde reservar, segundo Therezinha. Os peixes sumiram, saindo do meio do rio para margens opostas à enchente. A caça não existe no ecossistema de várzea, pois os animais ou ficam em terra firme ou refugiaram-se nela.
Ajuda
Com todas as dificuldades que a elevação recorde das águas trouxe ao Amazonas, medidas paliativas chegam a todo momento. No fim de fevereiro, a Defesa Civil do Amazonas já havia formado uma equipe de 1.200 voluntários, em municípios do interior do Estado. Estas pessoas receberam cursos específicos para auxiliar a população atingida pela enchente no rio Juruá. O governo federal anunciou medidas de ajuda às vítimasda cheia.
De acordo com o governo do Estado, as cidades de Borba, Tapauá, Manaquiri, Urucará, Careiro Castanho, Fonte Boa, Alvarães, Parintins, Rio Preto da Eva, além de São Sebastião do Uatumã, Tefé, Jutaí, Japurá, Maués, Codajás, Boa Vista do Ramos e Uarini devem receber o auxílio nos próximos dias. As famílias atingidas por enchentes recebem cestas básicas e kits de higiene, medicamentos, kits dormitório, além de filtros microbiológicos e hipoclorito de sódio também são distribuídos à população. Saiba mais
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Rio Negro (AM) pode continuar a subir e atingir a cota de 30m38


Se o rio mantiver o comportamento atual de subir, pelo menos, dois centímetros por dia, em 17 de junho a cota estará em 30,38 metros, portanto acima dos 30,13 metros previstos no segundo alerta de cheia do Serviço Geológico Brasileiro (CPRM)

    Cheia 3
    No Porto Privatizado de Manaus carros e motos trafegam numa pista que está com a água no mesmo nível da registrada na ala de atracação dos barcos
    A enchente  do rio Negro, que nesta quarta-feira (16) alcançou a marca recorde de 29,78 metros,  pode atingir níveis bem maiores até meados de junho, quando segundo o registro feito nos últimos 110 anos, ocorre o pico das cheias do rio.
    Se o rio mantiver o comportamento atual de subir, pelo menos, dois centímetros por dia, em 17 de junho a cota estará em 30,38 metros, portanto acima dos 30,13 metros previstos no segundo alerta de cheia do Serviço Geológico Brasileiro (CPRM).
    Nesta quarta (16), dos 52 municípios que já haviam decretado estado de emergência por conta do fenômeno, três -  Anamã, Careiro da Várzea e Barreirinha -  decretaram calamidade pública e a população atingida deverá ser  evacuada das localidades.
    Com o decreto de calamidade pública mais 30,2 mil pessoas devem ser alocadas, pela Defesa Civil do Amazonas, em flutuantes. No  Careiro da Várzea 95% da população foram atingida e passarão a morar em balsas por um mês.
    “Vamos alugar flutuantes para alojar as famílias. Outras serão removidas para casas de parentes. Estamos providenciando atendimento à saúde e alimentação. Desde que foi emitido o aviso de emergência, redobramos as atenções no  Careiro da Várzea, Anamã, Caapiranga e Barreirinha”, disse o coordenador da Defesa Civil do Amazonas, Hermógenes Rabelo.
    A vice-prefeita de Careiro da Várzea, Maria da Conceição Costa, disse que serão alugados dez flutuantes para abrigar as famílias. “Hoje, as as casas já estão com assoalho 40cm acima do que já tinham colocado no início da cheia”, disse a vice-prefeita do município mais afetado.
    Planejamento
    Com enchente recorde nos rios do Estado, o Poder Público está correndo para tentar minorar o problemas das populações atingidas. A pressa expõe a falta de planejamento e a não observância dos avisos.
    Com dois meses de antecedência, por exemplo, os pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA) Maria Teresa Fernandez Piedade e Jochen Schongart divulgaram um estudo mostrando que a cheia iria ser recorde.
    “Nosso modelo de acompanhamento da temperatura dos oceanos e do volume de chuvas já indicava isso”, disse Maria Teresa, lembrando que o aviso permitia o planejamento de ações que minimizassem os efeitos da calamidade.
    O CPRM também alertou para a gravidade do quadro. “No primeiro alerta para Manaus a previsão mínima já indicava uma cheia oscilando de  29m06 até 29m96. Quando a mínima passa dos 29m, as autoridades  devem prestar a  atenção na cheia. Foram quase dois meses e meio de antecedência, suficiente para se prepararem”, disse o  superintendente da CPRM, Marco Antônio de Oliveira.
    La Niña
    Em 2012,o regime de chuvas bacia Amazônica sofreu influência do fenômeno La Niña.“É uma região continental. Com o La Niña choveu, ao mesmo tempo,no sul da bacia,no Peru e na calha do rio Negro”, disse Marco Antônio Oliveira, da CPRM.
    Serviço público tem mudanças
    A enchente obrigou a Polícia Militar a trocar viaturas por lanchas ou canoas em municípios do interior, segundo informou ontem o comandante do Departamento de Polícia do Interior, Marcus Frota. Presos de Justiça, que ficam nas delegacias aguardando sentença, estão sendo remanejados para outros locais ou  em marombas nas delegacias.
    Houve também aumento no número de furto nas propriedades abandonadas por causa da enchente.  Um dos  problemas enfrentados pela polícia  é a demora para chegar ao local do crime. Uma barco da equipe da Polícia Civil naufragou quando ia atender uma ocorrência.
    Há locais, segundo Frota, onde 100% do policiamento são  feitos de lancha e de canoa. O policial tem que remar muito para atender as ocorrências.
    “Nós temos que fazer policiamento nas áreas alagadas onde há propriedade alagadas e que os proprietários tiveram que sair, para que não sejam roubadas”, disse Frota. Além desse trabalho, os policiais estão colaborando com a Defesa Civil e com o Corpo de Bombeiros orientando as embarcações a não trafegarem muito próximo da margem dos rios para evitar banzeiros. Segundo Frota as ondas arrancam as tábuas das marombas e muitas vezes levam as casas.
    O delegado do Careiro da Varzea (a 29 quilômetros de Manaus), David Jordão disse que faltam dois degraus para a água invadir a delegacia. Em Barreirinha uma delegacia provisória foi montada na casa do Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (Peti).  Há um mês que o prédio do 38º Distrito Policia da cidade inundou. São 13 presos alojados. O  delegado Cristovão Pereira, contudo, informa que a cidade está tranqüila, sem registros de roubos e outros delitos.
    Colaboraram: Joana Queiroz, Jonas Santos, Ana Celia Ossame  e Gerson Severo Dantas.

    Videoconferência aborda linhas de crédito especiais para agricultores atingidos pela enchente



    As linhas de crédito especiais para proteger os agricultores afetados pela enchente deste ano foi o tema da videoconferência realizada ontem (16). O secretário de Estado da Produção Rural, Eron Bezerra, e o presidente do Instituto de Desenvolvimento Agropecuário do Amazonas, Edimar Vizzoli, foram quem passaram as informações sobre os financiamentos aos gerentes do Idam, prefeituras, secretarias municipais de agricultura, sindicatos, associações e produtores rurais de diversos municípios.
    
    O Ministério da Integração Nacional (MIN) divulgou na semana passada três linhas de crédito específicas para o grupo de produtores atingidos pela cheia. O benefício vale apenas para os municípios em situação de emergência ou calamidade pública reconhecida pelo MIN e tem objetivo de promover a recuperação ou preservação das atividades de produtores rurais. Os financiamentos podem ser tomados para investimento, custeio ou capital de giro.
    
    A primeira linha de crédito terá até R$ 100 mil para empréstimo, com taxa de 3,5% ao ano de juros e prazo de até oito anos para pagamento, com três de carência.
    
    A segunda vai atender os agricultores familiares enquadrados no Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf). Os da linha "B" poderão adquirir até R$ 2,5 mil. Os demais, até R$ 12 mil. Ambos terão juros de 1% ao ano, desconto de 40% no valor da parcela pago até o vencimento e dez anos para pagamento com três anos de carência.
    
    Os financiamentos serão feitos por meio do Banco da Amazônia e poderão ser adquiridos até o dia 30 de dezembro de 2012.
    
    RENEGOCIAÇÃO
    Além das linhas de crédito especiais, o Banco Central prorrogou para até 2 de janeiro de 2013 o pagamento das parcelas adquiridas para custeio e investimento no âmbito do Pronaf para agricultores familiares e para produtores rurais, de outras linhas.
    
    PÓS-ENCHENTE
    O Governo do Estado começou a distribuir sementes e mudas para os produtores rurais atingidos pela cheia dos rios. A ação pós-enchente pretende beneficiar 43.820 agricultores de todo o Amazonas e é coordenada pela Secretaria de Estado da Produção Rural (Sepror). Até agora, o prejuízo estimado é da ordem de R$ 34,6 milhões. 
    
    Sementes de arroz, milho, hortaliças, feijão e malva e mudas de citros, pupunha, guaraná e banana estão entre os insumos a serem distribuídos. Além disso, o Governo do Estado está entregando o Cartão Amazonas Solidário, que destina R$ 400 para vítimas das cheias. A Sepror também está aguardando levantamento de quantos animais precisam de deslocamento de pasto e suporte de alimentação (ração e sal mineral).
    
    Os municípios mais prejudicados foram Tonantins, Fonte Boa, Boca do Acre, Tefé, Borba e Careiro da Várzea e Codajás. Pelo menos 10 mil produtores rurais alegam ter perdido sua produção. A informação é do secretário de Estado da Produção Rural, Eron Bezerra. "Esperamos que a cheia deste ano não alcance a de 2009. Naquela tiramos mais de 20 mil animais de dentro d´água para proteger o pequeno produtor", afirmou.
    
    As culturas mais afetada, de acordo com o levantamento do Idam, foram as fibras de juta e malva, a mandioca, a banana, macaxeira e a criação de animais. 
    
    Além da distribuição de sementes e mudas, o Governo do Estado auxilia os produtores rurais com crédito, assistência técnica e comercialização. 

    INPA e SEPROR realizam oficina de viveiros para agricultura familiar


    O Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA) e a Secretaria de Estado da Produção Rural (SEPROR) realizam entre os dias 14 a 18 de maio, oficina de viveiros para agricultura familiar e pesquisas sobre quintais agroflorestais e extrativismo de açaí na Terra Indígena Kwatá-Laranjal, localizada no município de Borba.
    
    A oficina coordenada pela pesquisadora Dra. Sonia Alfaia construirá dois viveiros modelo para a produção de mudas nas comunidades indígenas Kwatá-Laranjal. Durante o curso serão abordadas técnicas de produção de mudas de baixo custo e com aproveitamento de materiais disponíveis no local, que possam ser realizadas pelos agricultores indígenas. 
    
    Além disto, será abordado o tema de reaproveitamento de resíduos através da utilização de embalagens (sacos de arroz, feijão, sal, açúcar, entre outros) e garrafas PET para a produção de mudas. Esta atividade tem como objetivo incentivar a produção de mudas de plantas úteis que possam contribuir para a produção de alimentos, plantas medicinais e geração de renda para os agricultores indígenas.
    
    Além da oficina sobre viveiros, serão repassados à população da TI Kwatá-Laranjal, os resultados das pesquisas sobre quintais agroflorestais e extrativismo de açaí desenvolvidas por alunos de mestrado do Programa de Pós-Gradução em Ciências de Florestas Tropicais do INPA.
    
    A pesquisa sobre quintais agroflorestais foi desenvolvida pelo biólogo Mateus Salim e teve como objetivos descrever as características dos quintais agroflorestais, avaliar a contribuição deste sistema para a produção de alimentos, plantas medicinais e geração de renda para os agricultores, assim como avaliar os efeitos do manejo praticado nos
    quintais agroflorestais sobre a fertilidade do solo. Os resultados desta pesquisa geraram uma descrição geral deste sistema produtivo e também foram abordadas demandas da população da TI Kwatá-Laranjal para futuras ações de extensão agroflorestal.
    
    A pesquisa sobre extrativismo de açaí, produtividade dos açaízais, do trabalho de coleta e composição da renda dos extrativistas foi realizada pelo engenheiro florestal Gabriel Zanatta e aborda alguns aspectos do rendimento de trabalho e da etnoecologia de Euterpe precatória, o nosso açaí do Amazonas, junto as comunidades Munduruku e Sateré-Mawé. A medição dos custos reais de produção servirá para que esses povos indígenas alcancem um melhor preço de venda do açaí. 
    
    A pesquisa teve início com uma demanda local de plantar açaí, além disso, uma seleção participativa de matrizes de sementes vai respaldar o estabelecimento de plantios altamente produtivos, sempre levando em conta os princípios da agroecologia que valorizam o conhecimento local e a utilização de recursos genéticos locais. 
    
    O estímulo gerado pelo levantamento dos aspectos culturais indígenas relacionados ao
    açaí é saudável para o resgate cultural que se está levando, principalmente entre os Munduruku, que passaram por processos agressivos de erosão cultural nas últimas décadas, assim o projeto espera empoderar a população do seu conhecimento e gerar troca de informações dentro da comunidade. 
    
    O projeto mapeou as áreas de coleta de açaí e quantificou o esforço de trabalho, assim como aspectos produtivos das plantas, além de entrevistar extrativistas em 7 aldeias nos dois maiores rios da T.I, foram acompanhados os trabalhos de coleta e comercialização do açaí.
    
    Todas as atividades fazem parte do projeto "Plantios florestais com finalidade de recuperação de áreas degradadas no Estado do Amazonas" (Edital MCT/CNPq/CT-Agronegócio n º 26/2010), sob a coordenação do Dr. Paulo de Tarso Sampaio do Inpa e também fazem parte do Programa de Agricultura Indígena da SEPROR, que tem como principal atribuição a promoção de políticas públicas voltadas para a população indígena do Estado e a implementação de projetos produtivos ambiental e economicamente sustentáveis. 
    
    Um aspecto muito importante dos projetos foi a constante participação e auxílio dos técnicos indígenas do Programa de Agricultura Indígena da SEPROR, Evaristo e Josevam, dois jovens extensionistas Munduruku que estão puxando o trabalho nas aldeias.

    COMUNICADO - Posse concurso da SEPROR



                                                    COMUNICADO
    A Secretaria de Estado da Produção Rural (Sepror) comunica que a posse dos concursados que tiveram seus nomes publicados no Diário Oficial do Estado do dia 15 de maio acontecerá em amanhã, dia 18 de maio de 2012, em dois horários:
    
    1) Às 9h, no auditório da Sepror para os cargos de Médico Veterinário, Auxiliar de Serviços Gerais, Assistente Técnico, Auxiliar Administrativo, Cadista, Engenheiro Civil, Engenheiro Eletricista, Engenheiro de Alimentos, Engenheiro de Pesca, Engenheiro Florestal, Motorista categoria D, Motorista Fluvial, Técnico Nível Superior - Arquiteto, Biólogo, Zootecnista, Economista, Administrador, Contador, Assistente Social, Operador de Rede de Informática, Nutricionista, Jornalista -, Topógrafo e Vigia. 
    
    2) Às 14h, no Ifam, aonde acontece o treinamento, para os cargos de Auxiliar Agropecuário, Agente Agropecuário, Fiscal Agropecuário Medicina Veterinária, Fiscal Agropecuário Agronomia, Técnico Agropecuário, Engenheiro Agrônomo e Técnico Nível Superior - Estatístico.
    
    Mais informações, procurar o Setor de Recursos Humanos no telefone 92 3237-6570.